terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Um olhar distante..
Encontrei-a submersa à realidade, recobrindo o medo e o olhar que se dizia distante. Sentei-me ao seu lado e me entreguei a ouvir cada detalhe. Senti o pavor em sua voz, um tanto quanto incompreendido, quando acabara de reconhecer a perda da razão quando tudo que tinha eram sentimentos pressionados pela incerteza, embora sentisse uma grande convicção.
- Sinto que algo me aflige, mas acredito ser uma chance dentre tanto orgulho mal compreendido.
- Não tenha medo, não há o que dar errado. Uma hora ou outra isso terá que acontecer, quando tudo que temos é o acaso.
Dissera-me com um olhar frio e cauteloso.
Senti que algo contradizia e ao mesmo tempo lhe fazia insistir em forças nunca antes reconhecidas. Seu medo se desfazia. Retrocu seu orgulho e sem dar ouvidos ao que parecia certo, seguiu os conselhos de quem provou ser sábio com as palavras, embora com gelo no coração.
Quebrou toda e qualquer esperança depositada em si ao longo dos últimos tempos, e se entregou com receios àquela velha paixão.
Foi então surpreendida novamente pelas amarguras daquela convicção que enganou não só o seu orgulho prepotente e sigiloso, como aquele singelo coração.
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