quinta-feira, 21 de junho de 2012

A vida que eu entrego a você

Os quadros, os livros, as almofadas da cama. As flores que coloquei nos vasos, o perfume que me marquei. As fotos que tirei da minha parede, os anos que abandonei. Arrumei sobre a mesa pequenas coisas que me lembrassem de você. Pensei em quais livros deveriam estar abertos ou jogados pelo meu quarto. Que músicas tocariam enquanto eu te olhasse. O que você iria pensar da cor das minhas unhas ou da blusa cor de rosa filtrada pelo tecido fino sobre a luz da janela logo de manhã... No começo era uma esperança, depois virou um hábito. De tanto fazer para você, acabei te encontrando dentro de mim. Não sei mais se vejo filmes pensando em mim ou em você. Se ouço bandas novas para mim ou para te deixar satisfeito. Uma ausência tão presente em tudo que faço. Nos sapatos que compro, nas roupas que experimento. Naquelas pequenas delicadezas que aprendi sozinha e que ofereço assim, para você. E para mais ninguém. Penso no que passaria pela sua cabeça se estivesse lendo o que escrevo. E penso com tanta naturalidade que até esqueço que era para você. Parte do meu corpo, das minhas ideias que se conectam de forma bonita. Que se identificam nas pequenas reticências. Nas ironias cúmplices que só existem entre quem se conhece há muito tempo. Ou apenas um ano. São atos assim, tão simples, tão dentro de mim. Tão espontâneos que nem me lembro de te dizer que foi assim que sempre dediquei um tempo para você. Já que pouco falo, mania minha de economizar palavras e dizer apenas o necessário, foi esse o meu jeito de dizer que te amo. E te digo também que não importa o que eu faça, não importa o que eu enfrente. Se você desaparece às vezes e te puxo de volta à realidade. Se eu me desespero e te deixo sem chão. Se eu te peço desculpas um milhão de vezes. Não importa. Quero lapidar esse sentimento e te deixar o mais confortável possível, perto ou longe. Tanto faz. Contanto que esteja sempre comigo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário